domingo, dezembro 5

A mulher grega no classicismo

A Grécia Clássica contribuiu intensivamente com sua intelectualidade em diversos setores do conhecimento humano: na medicina, matemática, artes, língua, etc. O teatro grego, inovador para sua época, deixou para todo o Ocidente belas peças. Entre grandes nomes de tragediógrafos gregos tem-se Ésquilo, Sófocles e Eurípedes. O período clássico estendeu-se na Grécia nos séculos V e VI a C, em que Atenas destaca-se pela intelectualidade e hegemoneização deste período em relação a Esparta, centro bélico no período arcaico. No período clássico ocorre muitas mudanças no mundo grego, principalmente na cidade de Atenas. No século VI há profundas transformações, as antigas estruturas políticas já não estavam adequadas à economia ateniense.

As camadas mais populares tomaram consciência de sua importância na participação política da polis. Por meio dessa consciência começou a haver reformas como a substituição de um rei por magistrados para exercerem o poder executivo com remuneração, sendo que ainda continuava o privilégio para a aristocracia. Só em 561 a C com Psístrato, houvera uma política de pacificação com a construção de obras públicas, simpatia das camadas populares, confisco das terras dos ricos e distribuição destas para os camponeses. Atenas cresceu muito economicamente e enriqueceu cada vez mais os comerciantes. Após a morte de Psístrato, os seus filhos não foram bem sucedidos, fazendo com que os aristocratas retornassem ao poder com a ajuda dos espartanos. Em 507 a C, o aristocrata Clístenes conhecido como o pai da democracia ateniense, assume o poder. Este tipo de governo só comportava apenas 10% de toda a população. Para ser parte dessa população, participativa do regime democrático ateniense, o cidadão devia ter pai e mãe ateniense. Este regime exclui os escravos e as mulheres. Retomando a idéia deste regime, o homem era considerado cidadão visto que nasceu no território e de gente desta terra, enquanto que a mulher nascida nessa terra era considerada apenas como a filha do cidadão, sendo apenas superior ao escravo.

O homem da aristocracia grega, era totalmente livre para ter acesso aos bens culturais da polis. Vê-se um contraste do papel da mulher como inferior ao do homem na sociedade grega. Observando as duas principais cidades gregas da época, para perceber-se a realidade das mulheres. Nota-se que em Esparta a condição da mulher era superior a da ateniense, visto que a espartana tinha mais direitos como acesso a educação, incluindo dança, esportes, filosofia e ‘educação sexual’ por meio da mãe etc, contudo a mulher era vista, ainda, apenas como uma reprodutora, dona de um lar, geradora de filhos robustos para serem os futuros defensores da cidade. A mulher ateniense era criada num canto da sala assim como não tinha direito a educação, sendo considerada apenas superior aos escravos.

As atenienses não tinham nem a possibilidade de encontros amorosos com algum rapaz, esta era criada num local da casa grega chamado Gineceu. Como pode-se observar a forma de vida desses seres invisíveis era justificada por alguns pensadores como Aristóteles e Aristófanes, os quais diziam que os bárbaros e as mulheres não tinham direitos pois eram inferiores aos cidadãos da pólis.

Na canção de Chico Buarque de Holanda intitulada Mulheres de Atenas, vê-se por exemplo que em alguns dos versos o quão triste era o exercício da cidadania invisível delas .O eu-lírico começa com as palavras protestantes “ mirem no exemplo daquelas mulheres de Atenas” adiante vê-se a descrição desses homens que são o orgulho de Atenas, homens valentes que estão ausentes na criação dos filhos, deixando esse serviço às mulheres e tutores. “Elas não têm desejo ou vontade, têm medo apenas” mostrando o quão frustrante eram o papel dessas cidadãs invisíveis. Pode-se notar também que o autor trabalha também com os papéis das mulheres míticas como a grande Penélope da Odisséia, escrita por Homero, também a bela filha de Zeus, Helena. Contrastando com toda essa beleza e intelectualidade há a denúncia de um mundo que relega à mulher um papel inferior, para esse sexo que era chamado sexo frágil.

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